Cotas para mulheres na política… Tem que ser para valer!

Todas nós ficamos chocadas ao assistir pela TV aos resultados das urnas, em todo país, com tão poucas candidatas mulheres sendo eleitas, mesmo depois de tantos apelos inclusive do TSE para que a eleitora mulher busque ser melhor representada, quando é absoluta maioria na população e expressiva minoria nas câmaras e assembleias. Mas o choque se deve não à continuidade dessa realidade, e sim, ao “misterioso” número de candidatas a vereadoras nas eleições deste ano que obtiveram “ZERO” voto na apuração.

Incrível que nem mesmo a própria candidata tivesse votado em si própria. Mas isso tem explicação: muitos partidos inscreveram “candidatas laranjas” – aquelas “só para constar” e fechar a conta necessária das cotas estipuladas pela justiça eleitoral! A Dra. Luiza Eluf, nos explica melhor essa triste realidade…

“As eleições municipais desse ano mostraram um eleitorado indignado e revoltado com relação aos políticos e à política.

O problema dos brasileiros é que, como resposta ao descontentamento, sempre escolhem o caminho errado. Deixar de votar não resolve nada e ajuda a perpetuar as falhas que geram tanta insatisfação, permitindo que candidatos inadequados sejam novamente eleitos. Ficou comprovado que a população, de alta ou de baixa renda, reage de forma ineficaz ao próprio descontentamento. E pior do que negar o sufrágio é destilar a raiva clamando pela volta da ditadura militar. Podemos considerar que a ignorância política supera qualquer outro tipo de desconhecimento em nosso país.

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Por outro lado, nossos legisladores, ao fazerem uma reforma política açodada no último ano, talvez no intuito de dar uma resposta aos movimentos populares que encheram as ruas das cidades recentemente e que foram responsabilizados pelo sucesso do impeachment, conseguiram criar regras que, aparentemente, se destinavam apenas a manter tudo como dantes. Ou seja: tempo de campanha exíguo e insuficiente para divulgar candidaturas de pessoas ainda não eleitas: propaganda partidária no Rádio e TV, no horário político, totalmente fracionada em várias chamadas dispersas e rápidas, durante o dia todo, de modo a pegar os eleitores no susto sem lhes dar tempo para se concentrar no assunto que estava sendo veiculado. Isso, sem falar no encurtamento do período oficial de campanha.
Por fim, impossível não mencionar o vexame inacreditável imposto às candidaturas femininas em todo o país.

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Nossa legislação prevê cota obrigatória de 30% para mulheres nas listas dos partidos. Se a cota não é cumprida, o partido é punido. O resultado disso é que 14,5 mil candidatas a vereadora em todo o Brasil não receberam nenhum voto! Zero voto significa que nem elas votaram nelas mesmas. Esse dado foi colhido por um levantamento da TV Globo, em parceria com a agência de dados Gênero e Número e com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral. Com relação aos homens, apenas 1.704 tiveram zero voto. Os dados demonstram claramente que um número significativo de candidatas são colocadas no pleito apenas para cumprir a porcentagem prevista em Lei, o que desvirtua completamente a finalidade para a qual as cotas foram criadas.

O mencionado resultado não pode passar em branco. É evidente que a participação das mulheres na política é muito importante para o desenvolvimento social, econômico e político do país. Zombar da Lei dessa maneira merece que uma providência seja tomada. E só há uma medida possível para resolver o problema: as cotas de 30% devem ser instituídas nas Casas Legislativas, a saber, nas Câmaras Municipais, nas Assembléias Legislativas dos Estados, na Câmara Federal e no Senado. As mulheres representam mais da metade da população.

Sabemos que nova reforma político-eleitoral está sendo gestada no Congresso. Discute-se o voto distrital e o voto em lista fechada do partido, dentre outros temas. Seja qual for a próxima novidade, esperamos que venha para o bem do país e não para o bem de quem escreve a Lei. Importante, também, que sejam dadas reais oportunidades para as mulheres, garantindo-lhes não apenas um lugar no rol de candidatos, mas um lugar respeitável no Poder.

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Desta forma, uma mulher candidata terá chances reais de se eleger, sem a necessidade de escárnio legal e sem risco de exploração moral e cívica da população feminina.”

Luiza Nagib Eluf é Advogada. É Ex-Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Ex-Secretária Nacional dos Direitos da Cidadania e Ex-Subprefeita da Lapa. É autora de sete livros, dentre os quais “A paixão no banco dos réus”, sobre crimes passionais.

Maria Elena Johannpeter: a mulher que incentiva o conceito de voluntariado no Brasil!

27/01/2015 - PREMIO EMPREENDEDOR SUSTENTAVEL 2015 - FOTO: FELIPE GABRIEL
(Foto: Felipe Gabriel)

Para Maria Elena Johannpeter o grande problema do brasileiro é não pensar no próximo. “O brasileiro é pouco voluntário. Doa dinheiro, roupas… e pronto!” Partiu daí a ideia de lutar, aos 68 anos, pelo aumento da produtividade das ONGs brasileiras e, mais ainda, incentivar a presença de mulheres na política do país.

A história de Maria Elena é bem especial. Se um dia ela passa horas pintando casinhas e muros em Porto Alegre, em outros instiga mulheres a enfrentar as urnas e se eleger a cargos públicos.  São essas ações que levaram Maria Elena Johannpeter a receber diversos prêmios, como a medalha Pacificador da ONU Sergio Vieira de Mello, oferecida pelo Parlamento Mundial para Segurança e Paz.

Nascida em Gravataí (RS), Maria Elena é de uma família simples que arrendava terras para plantar. Em entrevista à revista Cláudia, ela contou que se casou cedo e ajudou primeiro seu marido a estudar e não pôde ir à faculdade. “A vida é minha universidade”, diz. Casada há 22 anos com Jorge Gerdau Johannpeter – um dos empresários mais bem-sucedidos do país – ela é presidente da Parceiros Voluntários, que movimenta 3,8 milhões de reais por ano, possui 51 unidades, impacta 1,5 milhão de pessoas, 2,8 mil organizações não governamentais e 2 mil escolas. Incrível, né?!

À revista Cláudia ela contou que o ponto forte do seu trabalho é capacitar instituições de diferentes estados. “O país tem 290 mil ONGs. A maioria não sabe captar recursos e prestar contas. Elas precisam atingir a autossuficiência, ter uma gestão ousada e entender que, como unidades de negócios, devem se preocupar com produtividade e transparência”, afirma.

E foi através de tantos eventos e compromissos ligados a sua ONG que Maria Elena Johannpeter percebeu como o brasileiro é um povo solidário, mas pouco voluntário. “Lancei a ideia de disponibilizar tempo, conhecimento e emoção. Ao oferecer algo tão valioso, trago a causa para a minha vida, para dentro de casa” e continua: “A emoção do que ajuda desperta um sentimento parecido no outro, transforma ambos e traz ganho social”.

Maria Elena é ainda coautora de três livros e defende o conceito da Responsabilidade Social Individual, a RSI, “que ressalta talentos e aviva o verdadeiro valor interno”. Para ela, um maior envolvimento pode gerar, inclusive, mais recursos. Sabia que no Brasil são aplicados no terceiro setor apenas 2 bilhões de reais por ano? “O volume cresceria se, como nos Estados Unidos, o cidadão doasse como pessoa física. Ainda esperamos que o governo faça tudo. A cultura precisa mudar e as leis devem incentivar isso”.

Com fãs pelo Brasil todo, não é de se estranhar que Maria Elena Johannpeter seja perguntada constantemente se pretende disputar eleição. Mas ela se esquiva. “Já faço política. Chamo as pessoas para o autodesenvolvimento e a cidadania participativa. Só não estou atrelada a partidos. Nem quero”.

E você, como avalia o trabalho voluntariado no Brasil hoje? Concorda com Maria Elena? Conte pra mim nos comentários.

Beijos,
Selene Ferreira

“A política não é atrativa para a mulher. Ela é um espaço machista”, diz Teresa Surita

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Eleita para o quinto mandato com 79,39% dos votos para a prefeitura de Boa Vista (RR), Teresa Surita não mede as palavras na hora de opinar sobre o machismo na política, inclusive dentro do seu próprio partido, o PMDB. A prefeita acredita que é necessária uma mudança radical nos partidos a fim de incentivar as candidaturas femininas.

Única mulher no comando de uma capital, Teresa Surita afirma ser contra cotas para mulheres no Legislativo por achar a medida ineficaz, entretanto, ressalta a importância dos partidos incentivarem a participação feminina no âmbito político. “O PMDB é um partido machista. É só você olhar para o partido e ver que ele tem esse posicionamento”, disse em entrevista ao Huffington Post Brasil.

Na lista dos principais problemas enfrentados em seu governo, Teresa Surita cita a crise financeira e o grande número de refugiados venezuelanos. Dois grandes desafios! Mas, a prefeita aposta em um diálogo com o governo de Michel Temer para conseguir mais recursos, uma vez que afirma não ter mais onde cortar gastos na cidade. “Aí eu vou diminuir os programas sociais, não vou mais conseguir construir creches para aumentar as vagas… só se for esse tipo de corte”, diz.

Dá uma olhada nos principais trechos da entrevista de Teresa Surita ao Huffington Post Brasil. A prefeita abordou o papel da mulher na política brasileira, deu sua opinião sobre a reforma política e comentou de que forma a presença de refugiados venezuelanos tem influenciado no desenvolvimento de Boa Vista. Confira!

Boa Vista tem recebido um número expressivo de imigrantes, especialmente da Venezuela. Que medidas estão sendo adotadas de habitação, emprego, assistência jurídica e social?
TS:
Essa situação está grave. Eu procurei o governo federal. Houve uma reunião com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), Alexandre de Moraes (Justiça), Raul Jungmann (Defesa), Defesa Federal, por causa da divisa que nós temos com Venezuela. Veio para cá uma comissão para avaliar essa realidade e ficou em seguida de marcar um outro encontro para ver como o governo federal pode ajudar (…) Isso é uma situação que está preocupando. Os números que nos chegam não batem. Já se fala em 50 mil venezuelanos ou mais de 30 mil porque é uma fronteira seca, então você não tem a condição de controlar com muito cuidado, como deveria. É uma fronteira que as pessoas podem entrar sem estar sendo legalizadas.

Na reforma política em discussão no Congresso, alguns deputados têm falado em tentar emplacar uma cota de mulheres para vagas no Legislativo e não só de candidaturas. A senhora apoia essa medida?
TS:
Não adianta ter a cota se você preenche apenas por preencher e porque está na Lei. Acho que é o que acontece hoje. Você exige x% de mulheres e essas mulheres vão ter suas candidaturas registradas, mas não vão fazer a campanha. Tanto que nesse ano 15 mil vereadoras não tiveram votos. A questão política com relação à mulher é ainda muito difícil de você trabalhar na questão de igualdade.

Acho que hoje a política não é atrativa para a mulher. Ela é um espaço machista. A mulher entra e é cobrada a ficar masculina, a ter gestos como hoje é visto na grande maioria dos homens. Você fala gritando, você se coloca de uma forma bruta. E eu acho que isso não tem feito com que as mulheres entrem na política, além da dificuldade de financiamento de campanha.

No Congresso é a mesma coisa. Os projetos que nos dão para relatar sempre têm o lado feminino. A economia, as grandes discussões sempre estão fechadas entre os homens. Existe um olhar que não é igual.

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Uma das primeiras imagens que o governo de Michel Temer passou foi ser composto por homens com experiência na política, sem mulheres em destaque. Isso simboliza que ainda há muitos avanços a serem feitos nessa área?
TS:
Isso chamou atenção porque a presidente Dilma tinha um número grande de mulheres. Mas isso é o que acontece naturalmente. Chamou atenção por causa da mudança que ocorreu e aí você acaba discutindo o que enxerga. Mas hoje se você pegar o Congresso Nacional tem 10% de representação (feminina). Para prefeita de capital só eu ganhei eleição, mas em 2012 também, então não mudou a realidade.

E não é fácil fazer política nos dias de hoje. Acho que estamos passando por uma transformação na política e a gente ainda não terminou essa etapa. Muitos políticos hoje evitam dizer que são políticos.

Os partidos fazem uma espécie de sabotagem financeira às candidatas femininas?
TS:
É. Acaba que as mulheres vêm mesmo mais para cumprir a cota. Você tem que ter muito voto, muito poder para você falar alguma coisa e aquilo ser mantido. É uma questão ainda que quando uma mulher ocupa um espaço sempre antes de qualquer coisa está que ela é uma mulher. Isso não só na política. O mundo é machista.

O que achou da entrevista? Concorda com as questões levantadas pela prefeita?

Beijos,
Selene Ferreira

Raquel Dodge, a primeira mulher a se tornar procuradora-geral da República

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Pelos próximos dois anos, Raquel Dodge assumirá a função procuradora-geral da República. Há mais de três décadas trabalhando no Ministério Público, Raquel assumiu o cargo no último dia 18 e se tornou a primeira mulher a ocupar tal função no Brasil.

Em seu discurso de posse, ela garantiu que vai lutar pela defesa a democracia, zelar pelo bem comum e meio ambiente e, principalmente, garantir que ninguém esteja “acima da lei”. Dá uma olhada nas palavras de Raquel Dodge abaixo:

“Dirijo-me ao povo brasileiro, de quem emana todo o poder, e a todos os presentes, para dizer que estou ciente da enorme tarefa que está diante de nós e da legítima expectativa de que seja cumprida com equilíbrio, firmeza e coragem, com fundamento na Constituição e nas leis”, afirmou em seu discurso.

Com o cargo de procuradora-geral, Dodge será responsável por conduzir a Lava Jato – operação que investiga os esquemas de corrupção entre a Petrobras e os órgãos públicos. Em discurso, porém, a procuradora não mencionou diretamente a operação, mas frisou que o povo brasileiro “acompanha investigações e julgamentos” e “não tolera a corrupção”.

“Quarenta e um brasileiros assumiram este cargo [de procurador-geral da República], alguns em ambiente de paz, e muitos sob intensa tempestade. A nenhum faltou a certeza de que o Brasil seguirá em frente porque o povo mantém a esperança em um país melhor, interessa-se pelo destino da nação, acompanha investigações e julgamentos, não tolera a corrupção e não só espera, mas também cobra resultados”, ressaltou.

Raquel Dodge assumirá o posto pelos próximos dois anos, ocupando o lugar de Rodrigo Janot que, desde 2013, sentava na cadeira máxima da Procuradoria-Geral da República.

Como você encarou essa notícia? Acredita que a mudança trará benefícios, ainda mais para nós, mulheres? Conte pra mim nos comentários!

Beijos,
Selene Ferreira

*Imagem: Minervino Junior/CB/D.A Press

3 sugestões de livros para quem quer inserir a política na vida das crianças

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A situação política atual tem dividido opiniões. Não é à toa que o número de participantes cresce a cada manifestação. Os atos, porém, podem causar dúvidas e estranhamentos na cabecinha das crianças que ainda não sabem como se posicionar.

Debater o assunto em casa e explicar o motivo das manifestações é importante, mas antes de permitir que as crianças participem ativamente dessas atividades – o que pode ser estressante, confuso e até perigoso – uma boa maneira de introduzir a política na vida dos pequenos até através da literatura.

Muitos autores têm trabalhado com a incrível missão de educar as crianças politicamente a fim de darem a elas maior embasamento quanto às questões sociais e econômicas do país, mas sempre priorizando a importância do convívio em sociedade, exercendo a civilidade e a prática democrática.

Dá uma olhada nessas três sugestões abaixo. A leitura é fácil, o assunto é exposto de maneira leve e seus filhos vão adorar, tenho certeza!

1. Quem manda aqui? – Um livro de política para crianças | Larissa Ribeiro, André Rodrigues, Paula Desgualdo e Pedro Markun.

capa_qma_site2No dia a dia, as formas de organização política estão em toda parte, da diretora da escola ao dono do brinquedo. Este projeto fala sobre as diversas formas de controle e poder e é fruto de seis oficinas realizadas com crianças, em que foram compartilhadas, de uma maneira bem divertida, noções sobre modos de governar e tomar decisões.

2. Ensinando política a crianças e adultos |Rubem Alves

1144033-350x360-247683Como são feitas as eleições, o que é a democracia, como se forma o congresso e para que serve uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI): esses são alguns dos temas explicados a partir de analogias e citações históricas, que facilitam o entendimento, tanto de gente grande como dos pequenos.

3. Malala, A Menina que Queria Ir Para a Escola | Adriana Carranca

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“Como jornalista, me interessa mais quem é a Malala antes de ser uma figura pública”, diz a autora. No primeiro livro-reportagem destinado ao público infantil, Adriana Carranca relata às crianças a história da adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, baleada por membros do Talibã aos catorze anos por defender a educação feminina. Na obra, a repórter traz suas percepções sobre o vale do Swat, a história da região e a definição dos termos mais importantes para entender a vida desta menina tão corajosa. Uma opção bacana para ensinar aos baixinhos o que é ter uma ideologia e lutar por uma causa.

 Sugestões anotadas?

Beijos,
Selene Ferreira

*Fonte: Revista Claudia

Aprenda o passo a passo para se filiar a um partido político

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Sempre comento aqui a importância da presença da mulher no âmbito político. Atualmente, o perfil dos filiados, no Brasil, é predominantemente masculino e na faixa etária de 43 a 58 anos. O número de jovens, então, não alcança nem um milhão. Alarmante, né?

O que faz esse número ser tão baixo, em muitos casos, se deve ao fato de que poucos sabem o que parecer para se filiar a um partido político. Pense bem: você saberia qual passo tomar?

Pensando nisso, reuni as principais dúvidas e abaixo ensino o que você precisa saber para se filiar a um partido político sem erro!

De olho nos pré-requisitos
Antes de mais nada, é preciso ter em mente que, para se filiar a um partido você precisa estar em pleno uso de seus direitos políticos. E você sabe quais são eles? Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) de 1948, todos podem participar do governo de seu país, seja diretamente ou por meio de representantes livremente eleitos.

Dessa forma, tem direito ao voto:

Obrigatório: maiores de 18 anos;
Facultativo: analfabetos, maiores de 70 anos e jovens entre 16 e 18 anos;
Proibido: estrangeiros e alistados em serviço militar obrigatório

Pré-requisitos para o direito a ser votado

Ter nascido no Brasil;
Saber ler e escrever em português;
Ter o título de eleitor;
Morar no território da eleição;
Idade mínima: de acordo com o cargo eletivo;
Filiação partidária: no mínimo, seis meses antes da eleição;
Não ter perda ou suspensão de direitos políticos

Ao cumprir todas essas normas, qualquer pessoal pode se candidatar em uma eleição no país. Entretanto, é preciso ter em mente que existem regras internas para a escolha oficial de um candidato. Ah, e vale lembrar: existem duas exceções nas regras para a filiação de um partido:

1. Servidores públicos da Justiça Eleitoral devem exonerar-se do cargo para a filiação;
2. Militares, magistrados, membros dos tribunais de contas e do Ministério Público seguem prazos diferentes para filiação, conforme resolução do TSE.

Como escolher em qual partido se filiar
Agora é a hora de escolher qual será o seu partido. Aí, não tem jeito, só com muita pesquisa!

Pesquisa a história da sigla, quais causas ela defende e quais projetos já realizou
Procure entender como organizam os debates, quais eventos fazem parte do cronograma do partido e se o engajamento é online ou presencial
Leia o estatuto do partido e descubra quais são as regras para uma pessoa filiada. Existem direitos e deveres? Você concorda com eles?

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Vantagens e desvantagens de fazer parte de um partido
Para concorrer nas próximas eleições, sua inscrição deve ser registrada até 7 de abril de 2018 – tempo de sobra pra você organizar seus documentos e saber todos os detalhes sobre o partido que escolheu.

O bom de se filiar, é que você não precisa esperar tanto para se engajar aos projetos do partido. Você não só pode, como deve participar de discussões políticas e sociais importantes para o seu município, estado e até país, além de buscar saber sobre as ideologias do partido e se integrar com a militância de causas que você também defende.

Procure ficar por dentro dos calendários para inscrição e processos seletivos, como provas e até mesmo entrevistas e tenha em mente que, uma vez inscrita, você terá uma lista de deveres que deverá cumprir à risca. Sabia que alguns partidos pedem até uma contribuição financeira para manutenção interna ou a sua presença física em certas atividades? Será que você tem esse tempo disponível ou renda extra para investir? É preciso levar tudo isso em conta antes de se jogar nesse meio político.

Tendo todas essas informações em mente, será que o cenário político é mesmo pra você? Bateu aquela vontade de se filiar a um partido? Conte pra mim nos comentários!

Beijos,
Selene Ferreira

*Fonte: Politize

4 mulheres que marcaram a história política do Brasil

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Quantas vezes já comentei aqui como é difícil que mulheres ocupem uma cadeira de destaque na política brasileira. Atualmente, possuímos 10% das vagas no Congresso Nacional e 12% nas câmaras dos municípios.

Mas, já foi muito pior. Basta pensar que há um tempo atrás nós não tínhamos nem o direito de votar, imagina só se candidatar a cargos políticos. O que pouca gente sabe é que foram mulheres quem abriram as portas para que a gente pudesse avançar nesse meio.

Que tal saber um pouco mais sobre elas? Separei quatro histórias incríveis para você ficar por dentro de mulheres que, lá atrás, já eram empoderadas e lutavam com unhas e dentes pelos nossos direitos.

Leolinda Daltro – criadora do primeiro partido feminista do Brasil 

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Foi em 1910 que Leolinda Daltro criou o primeiro partido político feminista do Brasil, o Partido Republicano Feminino. E, apesar de só pudermos participar oficialmente da vida política brasileira em 1932, a criação 22 anos antes foi uma maneira de pressionar o governo a incorporar o voto feminino, principalmente após ter tido seu pedido na justiça eleitoral para se alistar como eleitora negado. O motivo? Na Constituição vigente a época, as mulheres não eram vistas como cidadãs. Absurdo, né?

Baiana, Leolinda era professora e viajava o sertão brasileiro com um projeto que visava educar indígenas e ajuda-los a ter acessos a seus direitos. Na tentativa de concretizar seu plano de educação, ela foi alvo de vários boicotes sexistas, passando a ser chamada de “Mulher do Diabo”.

Para dar continuidade a seu plano, Leolinda inscreveu alguns de seus alunos como eleitores em uma eleição para deputados, fazendo deles os primeiros indígenas, na história do país, a ter direito ao voto.

Alzira Soriano – primeira mulher prefeita da América Latina

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Sabia que, em 1927, o Rio Grande no Norte foi o primeiro estado brasileiro a incluir a mulher no direito ao voto? E foi no ano seguinte que seria eleita no estado a primeira mulher prefeita da América Latina, Alzira Soriano.

Com aproximadamente 60% dos votos, ela venceu as eleições pelo Partido Republicano para a prefeitura de Lages, no interior do RN. Apesar de só ter ficado no cargo por sete meses, ela foi responsável por coordenar um gabinete inteirinho formado por homens. Consegue imaginar? Após a Revolução de 1930, Alzira voltou à vida pública, sendo eleita vereadora por duas vezes consecutivas, no município de Jardim de Angicos, onde nasceu.

Bertha Lutz – propôs o direito à licença maternidade

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Se você já usufruiu da licença maternidade, agradeça à zoóloga Bertha Lutz. Uma das principais líderes na luta pelos direitos políticos das mulheres no país, ela foi quem mais trabalhou pela aprovação da legislação que deu às mulheres o direito de votar e serem votadas. Paulistana, depois de passar uma temporada estudando na Europa, Bertha voltou ao Brasil a fim de ocupar cargos no serviço público, onde também foi pioneira… e conseguiu!

Em 1936 assumiu o cargo de deputada na Câmara Federal, propondo medidas como a licença maternidade de três meses e redução da jornada de trabalho, até então de 13 horas por dia.

Carlota Pereira de Queirós – primeira deputada federal da história do Brasil

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Primeira deputada federal da história do Brasil, Carlota Pereira de Queirós foi, em 1934, a única mulher a compor a Assembleia Nacional Constituinte. “Além de representante feminina, única nesta Assembleia, sou, como todos os que aqui se encontram, uma brasileira, integrada nos destinos do seu país e identificada para sempre com seus problemas”, disse em discurso.

Médica, pedagoga e escritora, Carlota fez parte da Comissão de Saúde e Educação, trabalhando pela alfabetização e assistência social na Constituinte, além de melhorar as condições de trabalho para as mulheres, como igualdade de salário.

E aí, o que achou? Viu como a presença da mulher na política traz resultados? Que tal fazer dessas mulheres sua fonte de inspiração para se engajar no meio político da sua cidade?

Bjs,
Selene Ferreira

*Fonte: Revista Cláudia
*Imagens: Reprodução/acervo O Globo

5 dados curiosos sobre a participação da mulher na política do Brasil

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Sabia que, entre os especialistas, uma boa forma de avaliar o grau de amadurecimento da nossa democracia é medir o nível de participação de mulheres no Poder Legislativo? Pois é, quanto maior o número de mulheres no governo, mais igualitário tende a ser aquele país.

Analisando a participação da mulher na política brasileira especificamente, cinco dados revelam de maneira bem esclarecedora a posição desigual entre os gêneros. Os números não mentem! Dá uma olhada nesses dados pra lá de curiosos:

154º lugar
De acordo com dados compilados pela Inter-Parliamentary Union – associação dos legislativos nacionais de todo o mundo – no Brasil, pouco mais dos 10% dos deputados federais são mulheres. Ocupamos o 154º lugar entre 193 países do ranking criado pela associação, à frente apenas de países árabes, do Oriente Médio e das ilhas polinésias. Países como Islândia, Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca comandam o ranking e são, não coincidentemente, países que implementaram cotas para mulheres nas cadeiras do Parlamento.

30%
Uma maneira de reverter o quadro de baixa participação das mulheres no Congresso, a Lei nº9.504/1997 estabeleceu que cada partido ou coligação deve reservar pelo menos 30% das suas vagas para as candidaturas de mulheres. No início, o artigo 10, § 3º, falava em “reserva” de vagas e, por isso, os partidos descumpriam o dispositivo, alegando que reservavam as vagas, mas não apareciam mulheres para ocupa-las. Por isso, em 2009 o texto foi alterado: “3º Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo. (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009)”

7 vereadores, 1 vereadora
Uma boa maneira de chegar o efeito dessas regras, é analisar os dados das últimas eleições para o cargo de vereador no Brasil. Como resultado, é possível notar que, apesar das candidaturas femininas tenham crescido nos últimos anos – para atender à nova exigência da lei de 2009 – o percentual de votos recebidos pelas mulheres caiu no mesmo período. O que isso significa? Que, no Brasil ainda há sete vereadores (homens) para uma vereadora (mulher) – o que mostra que a imposição de uma quota de candidatura das mulheres nos partidos políticos não está surtindo efeito. Além de termos votados menos em mulheres nos últimos anos, um percentual ainda menor delas conseguiu se eleger. Alarmante, né?

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Resultados parecidos em todo o Brasil
O cruzamento de dados da votação em mulheres em cada município a zona eleitoral do país com indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o nível de escolaridade dos eleitores, mostrou que não já uma correlação entre a porcentagem de votos em mulheres e o IDH nos municípios brasileiros, seja em questão de educação, saúde ou renda. E mais: o nível de escolaridade dos eleitores também não interferem nesse resultado. A conclusão? O mau desempenho das mulheres nas eleições brasileiras não tem a ver com as características dos eleitores em termos de nível de renda, educação ou saúde. Não são os mais pobres ou menos escolarizados que não votam nas mulheres, somos todos nós! Não levar as mulheres a sério nas eleições já é algo disseminado pelo território brasileiro, independentemente do perfil do eleitor.

Para piorar, os números mostram que 1 em cada 8 candidatas não receberam um voto sequer nas eleições para vereador em 2016. É ou não é de surpreender? Isso pode ser um indício de fraudes nas candidaturas, uma vez que partidos podem ter registrado candidatas apenas para preencher o percentual mínimo requisitado em lei.

Injustiça nos recursos
Não é de se estranhar quando descobrimos que quase todos os partidos dedicam menos recursos para as candidatas. Dá uma olhada nesse gráfico abaixo. Ele mostra quantos reais os partidos investem em campanhas de mulheres para cada 1 real investido em campanhas de homens. Se o valor é próximo de 1, significa que o partido não diferencia homens e mulheres na distribuição de dinheiro. Se a razão fica acima de 1, quer dizer que as mulheres são favorecidas; para os valores abaixo de 1, os homens levam vantagem na repartição feita pelo partido.

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Acredita-se que a principal causa para essa discriminação da mulher no cenário político ainda é a questão cultural, ligada tanto ao preconceito, quanta a discriminação. Responsabilidades na criação da família e nos afazeres da casa, barreiras no mercado de trabalho e o preconceito impedem que as mulheres pratiquem a política e sejam ouvidas tanto quanto os homens.

E aí, o que você achou desses dados? Como avalia os números mostrados nessa matéria? Conte pra mim nos comentários!

Beijos,
Selene Ferreira

*Fonte: www.politize.com.br

A tecnologia como aliada para as mulheres na política

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Não é novidade que a mulher ainda tem um espaço muito pequeno, tanto na política tradicional, quanto dentro de empresas e sindicatos. Sabia que, ainda hoje, as mulheres representam apenas 28% dos que entram na disputa eleitoral? Pouco, né?

E o pior é que, muitas vezes, essas mudanças que queremos dependem de leis, como a Lei Maria da Penha, por exemplo, ou são questões de política pública, como parto humanizado oferecido pela saúde púbica e somente quem ocupa cargos públicos é que pode ouvir (e atender!) a esses pedidos.

Não é à toa que levar as demandas das mulheres em geral ao Congresso se torna uma tarefa tão difícil – ainda mais quando não podemos abandonar nossas rotinas e compromissos diários para sair às ruas recolhendo assinaturas ou participando de audiências e manifestações.

Mas, nem tudo está perdido! A tecnologia tem se tornado uma aliada cada vez mais poderosa para estreitar as ligações entre o povo e as autoridades que decidem a vida comum. É a internet, aliás, nossa principal arma para aumentar a presença da mulher no cenário político.

As vantagens da internet e a presença da mulher na política
A principal vantagem da internet hoje é a velocidade e capacidade de difusão de informação. Ela permite que seja feito um trabalho colaborativo, sem que as pessoas estejam reunidas num mesmo espaço físico e, muitas vezes, nem sempre ao mesmo tempo. Ela permite ainda que pessoas se unam para um bem comum, muitas vezes sem se conhecerem, trocando informações, ou apenas apoiando e propagando campanhas e bandeiras.

Com tamanha força, consegue imaginar como a tecnologia pode ajudar na quebra das barreiras que nos separam das esferas de poder? Só ela é capaz de fazer a mensagem de um grupo chegar com força a todos os vereadores de um município ou até ao nosso Presidente.

Escolha sua ferramenta
Hoje em dia existem várias organizações criadas especificamente para facilitar e empoderar as mulheres na política, muitas delas contando até com suporte da equipe e criação de ferramentas para quem quer participar das decisões da cidade. É o caso da “Minha Sampa”, por exemplo.

O “Panela de Pressão” é outro aplicativo que vale a pena ficar de olho, uma vez que ele permite às pessoas criarem pressão sobre uma causa ao enviar um grande número de mensagens diretamente para governantes, parlamentares, concessionárias de serviços públicos e outros tomadores de decisão.

Vale a pena prestar atenção também em ferramentas de visualização de dados, como o projeto “Gênero & Participação”, que faz uma análise gráfica da participação da mulher na Câmara Federal, ou o aplicativo “Dona Maria”, criado durante o Hackathon de Gênero e Cidadania promovido pela Câmara dos Deputados em 2014.

É verdade que o caminho para a igualdade de gênero dentro da política é lento e trabalhoso, mas saber que podemos contar com uma arma tão poderosa quanto a tecnologia para fortalecer a democracia é um grande passo que damos a diante. Por isso, procure se informar sobre esses aplicativos, fóruns de discussões e ferramentas de visualização de dados. Converse, envie dúvidas, debata dados… a mudança começa com uma atitude nossa e a internet só tem a nos ajudar!

Beijos,
Selene Ferreira

Pesquisa diz: Brasil só deve atingir igualdade de gênero no Congresso em 2080

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Notícia alarmante pra gente ficar de olho: de acordo com os dados da pesquisa Ranking de Presença Feminina no Parlamento 2017, do projeto Mulheres Inspiradoras, a partir de dados do Banco Mundial e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil deve atingir a igualdade de gênero do Parlamento Federal somente em 2080. A estimativa se deve ao ritmo de crescimento desse indicador nos últimos anos em 87%, número 6% menor do que a média mundial da participação feminina no Legislativo.

Para entender melhor os resultados dessa pesquisa sobre igualdade de gênero, vamos aos números: de 1990 para 2017, o percentual de mulheres na Câmara dos Deputados e no Senado passou de 5,3% para 9,9% no país, patamar desde 2014. Entre 2010 e 2014, o patamar ficou em 8,6%. O Brasil também não alcançou a média mundial de 1990, de 12,7%. Hoje, a média é de 23%.

Entenda a pesquisa
O estudo analisou dados de 138 países. Nesse ranking, o Brasil ficou em 115º lugar, enquanto Ruanda assume o primeiro, com 63,8% de mulheres no Parlamento, seguido por Bolívia (53,1%) e Cuba (48,9%). Vale lembrar que os dez primeiros países desse ranking possuem algum tipo de cláusula de gênero em sua constituição ou cota para mulheres na política.

Comparando como as coisas funcionam por aí, basta ter em mente que pelo menos 30% das candidaturas a cargos eletivos têm que ser de um dos gêneros. Já a PEC 98/2015, aprovada no Senado, estabelece reserva de cadeiras femininas no Parlamento: 10% das cadeiras na primeira legislatura, 12% na segunda e 16% na terceira.

A mulher na política brasileira atualmente
Dados levantados pelo Huffington Post Brasil mostraram que o pleito ao Senado em 2014 contou com 350 candidatas do total de 1850 candidatos (apenas 19% do total). Dos 22 senadores eleitos naquele ano, apenas 5 eram mulheres. Pouco, né?

Se avaliarmos que, do total de votos válidos, 91,86% foram para candidatos do sexo masculino, isso mostra que 85% das candidatas não foram eleitas. É muita coisa!

Já na disputa pela Câmara dos Deputados em 2014, 32% dos candidatos eram mulheres. Dos 513 eleitos, 51 eram mulheres. 90% dos votos foram para eles, enquanto apenas 10% para elas. Em média, 98% das mulheres que se candidataram não se elegeram, sendo que 5% dessas candidatas não receberam nem um voto.

Comparando com 2016, o percentual de candidatas a vereadoras em 2016 foi de 33%. Entre os 57.842 eleitos, 7.824 eram mulheres (14%). Elas receberam 16% dos votos válidos, enquanto os outros 84% foram para homens. Para piorar, o número de não eleitas foi de 85% – mais de 46 mil mulheres que se candidataram tiveram 10 votos nominais ou menos, sendo que 40% delas tiveram zero votos.

Essa diferença tão discrepante é explicada no estudo principalmente pela baixa quantidade de candidatas, a carência de recursos e atividades partidárias menos voltadas para a formação de novas lideranças. “Cremos que para aumento do percentual de mulheres na política será necessário um conjunto de medidas não só por parte do poder público, mas também que seja um desejo da sociedade civil, que mais mulheres queiram disputar eleições e sejam devidamente incentivadas e apoiadas para tal, por amigos, familiares, partidos políticos, mídia, também fiscalizando para que não sofram preconceito”, diz a pesquisa.

Os números não mentem! Pesquisas como essas mostram como é importante um maior interesse e engajamento das mulheres no ambiente político. A conquista por um espaço maior no Legislativo e a igualdade de gênero na política só acontecerá aos poucos, é verdade, mas é possível!

Beijos,
Selene Ferreira

*Fonte: Huffington Post Brasil