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Perfeccionismo: uma exigência impossível de cumprir…

“Ainda não! Estou me preparando! Preciso aprender mais! Não está do jeito que eu quero…”

Essas são algumas das frases que jogamos para justificar nossa hesitação, dar explicações sobre os motivos de ainda não termos feito ou concluído algo que começamos. A intenção é sempre a mesma: causar uma boa impressão, fazer tudo “certinho”, “pra ninguém reclamar”, evitar críticas…

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O perfeccionismo é um tipo de ansiedade, uma insegurança, um medo de que ao não ser percebido como absolutamente perfeito, seu valor próprio poderá ser ameaçado. Nem todo mundo “que se acha” perfeccionista realmente é! O perfeccionismo é uma patologia psicológica, a pessoa que simplesmente é cuidadosa, atenciosa e detalhista, mas não sente ansiedade para com a percepção alheia em cima de sua performance e resultados, NÃO É perfeccionista!

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Uma das maiores armadilhas do perfeccionismo é que muitas pessoas veem esse traço como qualidade, dificultando ainda mais a percepção do perigo que esse mecanismo implica. Algumas pessoas se sentem orgulhosas ao afirmarem que são perfeccionistas, como se quisessem dizer “vejam como eu sou uma pessoa cuidadosa, caprichosa, detalhista e que só faz as coisas perfeitas!” Mas como disse, nem toda pessoa com esse perfil é realmente perfeccionista, mas por outro lado, o perfeccionismo em si não é uma qualidade.

 

Não é preciso muito esforço para perceber as origens deste comportamento: insegurança e orgulho.

A pessoa perfeccionista tem medo de opiniões negativas, por isso entra em pânico com a mera possibilidade de que seu desempenho possa eventualmente não ser impecável. Nesse processo, ela adia por muito mais tempo do que o necessário a execução ou exposição do que está preparando, numa tentativa de se preparar mais ou de aperfeiçoar o resultado e evitar qualquer tipo de crítica.

Pedantic housewife gardening. Trimming the bush to perfect

Essa insegurança nasce do orgulho, que também alimenta a noção de que os outros precisam percebê-lo como criatura magna, muito superior a qualquer possibilidade de imperfeição.

Pessoas assim têm muita dificuldade de receber feedback. Qualquer devolutiva sobre seu desempenho ou resultados é vista como sinal de que a perfeição não foi alcançada e como essas pessoas associam perfeição com valor próprio, a crítica bate em sua autoestima, dilacerando o senso de amor próprio. “Se os outros evidenciam minha imperfeição, então isso significa que eu não tenho valor algum.”

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Esse comportamento leva a birras, mau humor, depressão, conflitos e mágoas. O perfeccionista não aceita crítica de ninguém, mas nem sempre ele confronta o outro, muitas vezes guardando mágoa e se voltando contra si mesmo, prejudicando a autoestima.

Com o tempo, a pessoa perfeccionista vai produzindo cada vez menos na vida para não arriscar se expor e acabar recebendo críticas. Muitos perfeccionistas são tímidos, já que a exposição social leva naturalmente a um maior risco de críticas e “vexames”.

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O nível de perfeccionismo é medido pelo grau de ansiedade e preocupação com a finalização e “entrega” dos resultados. Isso pode ocorrer no trabalho, gerando estresse e postergação e pode ocorrer na vida pessoal também, como no início de um relacionamento quando pode haver uma expectativa de que o outro nos veja como homens ou mulheres sem qualquer defeito. Em ambos os casos, há uma crença incorreta de que os outros “devem” estar esperando por perfeição da nossa parte e que estaríamos em séria falta ao não entregar um desempenho à altura – ou que seríamos rejeitados se formos percebidos como “imperfeitos”.

No final das contas, o tiro sempre acaba saindo pela culatra. A moça que acha que o rapaz que ela está conhecendo não vai gostar dela se ela não for perfeita acaba ficando super nervosa em seus encontros e com isso acaba passando uma ideia de que não consegue ficar a vontade, que é uma garota chata e sem graça e até mesmo, que não gosta do rapaz, já que apreensão e nervosismo se traduzem na linguagem corporal em rigidez e timidez. Ou seja, ela está fazendo um esforço tão grande para agradar, está tão preocupada em não falar nada errado, não dar um passo em falso, que acaba provocando o efeito completamente contrário! O que os outros percebem em nós nem sempre é aquilo que estamos querendo mostrar!

young beautiful healthy woman and reflection in the mirror

Como lidar com isso?

Todo mundo tem orgulho e todo mundo tem níveis de insegurança, não dá pra mexer nesses pontos. Corrigir um comportamento perfeccionista não significa tornar-se uma pessoa altamente autoconfiante e desprovida de orgulho – tal ser humano simplesmente não existe!

Em primeiro lugar, a pessoa que tem esse perfil precisa desassociar a ideia ilusória de perfeição do valor próprio. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, uma pessoa com “muito valor”, o que quer que isso signifique para cada um, não é necessariamente uma pessoa perfeita.

O problema todo está na crença que a pessoa mantém de que as críticas ou evidências de um desempenho imperfeito estão associadas a falta de valor como pessoa. Com muita frequência há uma generalização das críticas recebidas, o que aumenta o foco desproporcionalmente: “eu sou um idiota mesmo!” ou “eu nunca faço nada direito!”.

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Um pouquinho de bom senso e observação do mundo à nossa volta pode fazer milagres para destruir essa noção. Por quê?

Muita gente pra lá de imperfeita se dá muito bem na vida, em todas as áreas. Críticas? Essas todo mundo recebe, os vencedores e os perdedores. A totalidade das pessoas públicas, por exemplo, de celebridades a políticos, possuem seus fãs, mas também possuem inúmeros detratores. Seres humanos são criaturas implicantes que adoram cuidar da vida alheia! Não importa o que você faça, nem mesmo se conseguir atingir um grau de qualidade hipoteticamente perfeito. Sempre vai ter alguém que vai criticar, que vai dizer que você poderia ter feito diferente, que não está bom, e assim por diante.

As listas de livros mais bem vendidos do mundo estão sempre cheias de livros de baixíssima qualidade, alguns muito ruins mesmo. Mas como diabos esses livros chegaram na lista de best-sellers? Porque o público-alvo desses livros não estava exatamente procurando por perfeição. Havia uma demanda, o autor preencheu, houve mídia suficiente para divulgar o livro e público suficiente para consumir aquele tipo de informação. Mesmo livros que hoje consideramos clássicos, se fossem analisados de um ponto de vista objetivo, com um padrão preto e branco de perfeição, diríamos que todos esses livros são imperfeitos. Em sites que contam com larga participação do público para postar resenhas e opiniões de livros como a Amazon.com, é possível ver inúmeros best-sellers com suas milhares de opiniões estelares, mas também críticas de quem considera tais obras “um lixo”.

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O mesmo raciocínio pode ser aplicado a tudo o mais, música, pintura, os mais diversos tipos de produtos manufaturados, moda e por aí vai. Nós, como pessoas, também não escapamos da diversidade de opiniões sobre a nossa pessoa e sobre tudo o que fazemos – alguns nos adoram, outros nos odeiam.

A vontade de ser perfeito é na verdade um medo, uma insegurança de ouvir a opinião do outro, quando a mesma não é favorável a você.

Ser cuidadosa, detalhista e procurar fazer as coisas bem feitas, com zelo é uma coisa. Se autossabotar e postergar indefinidamente a conclusão de algo ou a expressão de uma atitude, de uma performance, pois se está aperfeiçoando, lapidando o diamante, antes de ir a público com o resultado, aí sim, é pura insegurança, medo da opinião alheia. E tudo isso nasce da percepção de que seu valor como pessoa está associado a uma suposta perfeição.

Destrua essa crença e você terá superado o perfeccionismo.

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