a mulher na política

“A política não é atrativa para a mulher. Ela é um espaço machista”, diz Teresa Surita

teresa

Eleita para o quinto mandato com 79,39% dos votos para a prefeitura de Boa Vista (RR), Teresa Surita não mede as palavras na hora de opinar sobre o machismo na política, inclusive dentro do seu próprio partido, o PMDB. A prefeita acredita que é necessária uma mudança radical nos partidos a fim de incentivar as candidaturas femininas.

Única mulher no comando de uma capital, Teresa Surita afirma ser contra cotas para mulheres no Legislativo por achar a medida ineficaz, entretanto, ressalta a importância dos partidos incentivarem a participação feminina no âmbito político. “O PMDB é um partido machista. É só você olhar para o partido e ver que ele tem esse posicionamento”, disse em entrevista ao Huffington Post Brasil.

Na lista dos principais problemas enfrentados em seu governo, Teresa Surita cita a crise financeira e o grande número de refugiados venezuelanos. Dois grandes desafios! Mas, a prefeita aposta em um diálogo com o governo de Michel Temer para conseguir mais recursos, uma vez que afirma não ter mais onde cortar gastos na cidade. “Aí eu vou diminuir os programas sociais, não vou mais conseguir construir creches para aumentar as vagas… só se for esse tipo de corte”, diz.

Dá uma olhada nos principais trechos da entrevista de Teresa Surita ao Huffington Post Brasil. A prefeita abordou o papel da mulher na política brasileira, deu sua opinião sobre a reforma política e comentou de que forma a presença de refugiados venezuelanos tem influenciado no desenvolvimento de Boa Vista. Confira!

Boa Vista tem recebido um número expressivo de imigrantes, especialmente da Venezuela. Que medidas estão sendo adotadas de habitação, emprego, assistência jurídica e social?
TS:
Essa situação está grave. Eu procurei o governo federal. Houve uma reunião com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), Alexandre de Moraes (Justiça), Raul Jungmann (Defesa), Defesa Federal, por causa da divisa que nós temos com Venezuela. Veio para cá uma comissão para avaliar essa realidade e ficou em seguida de marcar um outro encontro para ver como o governo federal pode ajudar (…) Isso é uma situação que está preocupando. Os números que nos chegam não batem. Já se fala em 50 mil venezuelanos ou mais de 30 mil porque é uma fronteira seca, então você não tem a condição de controlar com muito cuidado, como deveria. É uma fronteira que as pessoas podem entrar sem estar sendo legalizadas.

Na reforma política em discussão no Congresso, alguns deputados têm falado em tentar emplacar uma cota de mulheres para vagas no Legislativo e não só de candidaturas. A senhora apoia essa medida?
TS:
Não adianta ter a cota se você preenche apenas por preencher e porque está na Lei. Acho que é o que acontece hoje. Você exige x% de mulheres e essas mulheres vão ter suas candidaturas registradas, mas não vão fazer a campanha. Tanto que nesse ano 15 mil vereadoras não tiveram votos. A questão política com relação à mulher é ainda muito difícil de você trabalhar na questão de igualdade.

Acho que hoje a política não é atrativa para a mulher. Ela é um espaço machista. A mulher entra e é cobrada a ficar masculina, a ter gestos como hoje é visto na grande maioria dos homens. Você fala gritando, você se coloca de uma forma bruta. E eu acho que isso não tem feito com que as mulheres entrem na política, além da dificuldade de financiamento de campanha.

No Congresso é a mesma coisa. Os projetos que nos dão para relatar sempre têm o lado feminino. A economia, as grandes discussões sempre estão fechadas entre os homens. Existe um olhar que não é igual.

Imagem relacionada

Uma das primeiras imagens que o governo de Michel Temer passou foi ser composto por homens com experiência na política, sem mulheres em destaque. Isso simboliza que ainda há muitos avanços a serem feitos nessa área?
TS:
Isso chamou atenção porque a presidente Dilma tinha um número grande de mulheres. Mas isso é o que acontece naturalmente. Chamou atenção por causa da mudança que ocorreu e aí você acaba discutindo o que enxerga. Mas hoje se você pegar o Congresso Nacional tem 10% de representação (feminina). Para prefeita de capital só eu ganhei eleição, mas em 2012 também, então não mudou a realidade.

E não é fácil fazer política nos dias de hoje. Acho que estamos passando por uma transformação na política e a gente ainda não terminou essa etapa. Muitos políticos hoje evitam dizer que são políticos.

Os partidos fazem uma espécie de sabotagem financeira às candidatas femininas?
TS:
É. Acaba que as mulheres vêm mesmo mais para cumprir a cota. Você tem que ter muito voto, muito poder para você falar alguma coisa e aquilo ser mantido. É uma questão ainda que quando uma mulher ocupa um espaço sempre antes de qualquer coisa está que ela é uma mulher. Isso não só na política. O mundo é machista.

O que achou da entrevista? Concorda com as questões levantadas pela prefeita?

Beijos,
Selene Ferreira

Deixe o seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados com *

*
*

canal daMavi Ferreira

Olá, eu sou a Mavi e toda semana vou compartilhar com você os meus vídeos. Acompanhe o meu canal.

Youtube